Olho-te.
No teu olhar, o incêndio. A revolta. A batalha. A explosão, como aquela explosão do começo. Como o rebentamento das águas no fim. O parto. A primeira morte de todas as coisas.
Vejo-me totalmente invadido e tomado sempre que te aproximas. Das ruínas, dizem, nascerá uma nova cidade com praças, templos e assembleias. No teatro, estará em cena a mesma história, com as mesmas máscaras. Mas desta vez será diferente, porque no final serás tu o meu assassino e eu o teu amante. E as máscaras quebrar-se-ão assim que nós nos abraçarmos.
Parece-me que não existirão árvores nessa cidade. É normal. O nosso destino é habitarmos longe do nosso lar. Promete-me apenas que não te esquecerás de ir visitando o velho sobreiro para receber novas instruções junto às raízes.
Depois, sim, retornarás e sitiarás uma vez mais a cidade. Junto às muralhas, abrirás os braços a toda a amplitude, e ao dizeres "amo-te" todas as criaturas e edificações num raio de dez mil pés serão abaladas e sacrificadas ao sol do meio-dia.
Não te esqueças de me resgatar do fio das palavras.
É um fio de cabelo novo, esse que vejo no canto dos teus olhos?
Olho-te uma vez mais. Findo o incêndio, levantar-me-ei do chão, e de rosto queimado e sujo ousarei tocar-te de mãos nuas. Serei teu, finalmente. Desde o começo.
No teu olhar, o incêndio. A revolta. A batalha. A explosão, como aquela explosão do começo. Como o rebentamento das águas no fim. O parto. A primeira morte de todas as coisas.
Vejo-me totalmente invadido e tomado sempre que te aproximas. Das ruínas, dizem, nascerá uma nova cidade com praças, templos e assembleias. No teatro, estará em cena a mesma história, com as mesmas máscaras. Mas desta vez será diferente, porque no final serás tu o meu assassino e eu o teu amante. E as máscaras quebrar-se-ão assim que nós nos abraçarmos.
Parece-me que não existirão árvores nessa cidade. É normal. O nosso destino é habitarmos longe do nosso lar. Promete-me apenas que não te esquecerás de ir visitando o velho sobreiro para receber novas instruções junto às raízes.
Depois, sim, retornarás e sitiarás uma vez mais a cidade. Junto às muralhas, abrirás os braços a toda a amplitude, e ao dizeres "amo-te" todas as criaturas e edificações num raio de dez mil pés serão abaladas e sacrificadas ao sol do meio-dia.
Não te esqueças de me resgatar do fio das palavras.
É um fio de cabelo novo, esse que vejo no canto dos teus olhos?
Olho-te uma vez mais. Findo o incêndio, levantar-me-ei do chão, e de rosto queimado e sujo ousarei tocar-te de mãos nuas. Serei teu, finalmente. Desde o começo.
2 comentários:
Essa imagem, essas palavras, enchem o meu ser e assim fico invadido pela tua presença. Vives nas minhas palavras, os teus escritos consolam o destino, este que encetei nestes dias e que apresentei nas minhas mãos, para te dar algo que não dou a outra pessoa. Somo então no teu incêndio.
13.02.2007 - Porto
Bem... era muito mais fácil dizeres apenas "amo-te" :P
Mas gostei imenso do que li. Para primeria vez, deixaste-me com vontade de visitar o teu blog por uma segunda , terceira, infinitas vezes. Tens o dom da palavra, e isso é (muito) bom.
Agora é continuares com o "bom trabalho". Boa sorte para o teu blog ;)
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